Encontrar teus olhos é esquecer quaisquer que tenham sido as minhas promessas... trair todos os meus sentidos, entrar em controvérsia .

Até o presente momento a menina com lágrimas borrando o desenho dos olhos dizia estar sendo sincera. De fato, ela havia agido com a doce sensação de estar usando pouco a sua razão.
Vez ou outra, não continha o exagero de não saber usar direito as palavras ou por pura conveniência de ego.
Perdeu-se tantas vezes por aí, sem a mínima culpa. Mas durou pouco, até que seus atos começassem a lhe atormentar, suas mentiras lhe presenteassem de volta com tal intensidade como quem lhe esmagasse contra uma frágil parede de vidro.
Pensou em mudar, mas foi tão inútil. Ela era fraca demais diante do que lhe gelava o estômago.
Então, a menina ergueu seus olhos e enxergou um passado que ela ainda poderia alcançar e abriu os braços. Ainda sem entender o motivo pelo qual deixou o brilho dos seus olhos no passado, sentiu medo, sentiu pena. Não de si, mas sentiu como quem estivesse enganando uma multidão, sem se preocupar em apagar o brilho dos olhos de alguém... e chorou. Não era isso que ela tinha em mente.
Sentiu-se presa a algo que talvez não fosse assim tão interessante, estava confusa, mas não deixou de alimentar a idéia fraca de uma história que sonhou na tevê.
Bobagem, ela dava atenção e importância demais a coisas realmente muito pequenas, era o que lhe entupia as veias.
E finalmente quando as coisas pararam de lhe agradar, de fazer sentido, quando o apreço que lhe parecia tão intenso começou a lhe abandonar, pouco a pouco, dando espaço a insegurança sem que ninguém procurasse ou quisesse entender, acabou compreendendo que olhar nos olhos é o que realmente importa. E ela não encontrava mais os olhos que lhe trouxeram paz. Sendo assim, com os olhos novamente caídos... 

desistiu e sangrou.

2 comentários:

Y! disse...

não só você passando por isso,eu,e mais varias...

Luiza disse...

:/