Os óculos engraçados já não apetecem mais os olhos cansados, lânguidos, pesados, estranhamente aliviados.
A cabeça figura, a realidade desfigura, os dedos permanecem dormentes.
Ele se faz de desentendido e a rasga ao meio, sem culpa.
Ela já perdeu o medo, porém, continua quebrada. Alheia aos seus próprios caprichos. Até quando?
-Não liga não – dizia ele dando as costas.
-Então me dê um único sorriso – ela pedia agoniada.
-Eu não posso lhe sorrir, não tenho dentes – respondia ele em tom de desprezo.
-Você não é capaz de realizar nenhum capricho meu, não é? Nunca terá dentes pra me sorrir – desespera ela.
-Ah, por favor, não seja tola. Um dia, sim? Tenha paciência, eu vou sorrir – retrucou tentando encerrar.
Ela subentendeu e balançou a cabeça em sinal de concordância, mas sabia que era mentira, mais uma.
Sabia que antes dela ele teve os mais belos dentes e que não se esforçaria pra recuperá-los por um pedido dela, estava ocupado demais, condicionado a imagem de seu negativismo. Mesmo que lhe faltasse esperança, sobravam delírios, era o que lhe mantinha presa, vazia, mas presa.
Momento de desequilíbrio, os olhos cegaram! Dedos estranhos os percorriam, de que importa? Estava serena, não precisava mais implorar um sorriso.
Voltou ao que sabia que seria o último encontro com aquele homem castigado pelo passado, incapaz de se entregar ao futuro.
Foi a primeira vez que ele disse muito, enquanto ela permanecia calada.
Olhava-o no fundo dos olhos com frieza o perturbando, irritando-o e ele esbravejava, questionava.
Então, ela visceralmente atravessou-lhe a arma branca na jugular.
Ficou ali até ele parar de agonizar.
E foi embora, tão fria quanto chegou.
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Oi, estou passando para avisar que estou reformulando meus blogs e convido-o para participar do mais novo blog, feito especialmente pra falar de amor: http://palavrascomacucar.blogspot.com
espero a sua visita! abraços...
Francine disse...
19 de fevereiro de 2010 10:34
o cérebro da nogueira no lugar da dor de noz que tem como causa a desmemória natural.
fochesatto disse...
11 de março de 2010 15:35
Esse vazio acontece...
Preciso tanto de nós duas, amiga.
Te amo.
Naiara disse...
23 de abril de 2010 22:23